Posse de bola no Facebook

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sábado, setembro 24, 2016

Miudos atrevidos

«Gelson está num período de forma espetacular. Praticamente sozinho partiu e deu cabo da defesa do Estoril. Está num momento muito forte, quebra qualquer lateral-esquerdo. Sabem que ele o merece, não há cá ninguém como ele, em Portugal. Mas ainda está numa fase de aprendizagem. Está num pique de forma. Que saiba viver este momento. É um miúdo, está a crescer em termos técnicos, táticos mas também musculares: está há um ano a fazer trabalho específico, cada vez está um jogador mais competitivo»

Ser treinador é promover talento, é elogiar o talento e proteger quando o talento não se expressa. JJ aqui, foi mais longe e começou já a proteger Gelson. Fazer um jovem crescer é isto.

Gelson está neste momento num contexto que o pode projectar para níveis muito elevados. Mas é preciso que o deixem crescer e errar, para que perceba como jogar em função do contexto do jogo de futebol.

segunda-feira, setembro 19, 2016

Votar no Lateral Esquerdo

De mais de 2000 nomeações o Lateral Esquerdo é um dos quatro nomeados na categoria de Desporto dos Blogs Do Ano, iniciativa da Media Capital. As regras são simples, cada pessoa pode votar uma vez a cada 24 horas. Contamos com o vosso apoio!

Votem, AQUI!!!! Ou usem o link no canto inferior esquerdo da página do blog.

segunda-feira, agosto 15, 2016

O treino...

Sempre o treino como principal responsável pelas escolhas que hoje se fazem para o jogo. Quando se pensa que os melhores chegam e jogam, não é bem assim. Depende de uma data de factores, do estado da equipa, do adversário que vai defrontar, e sobretudo do treino e da identificação que o jogador tem das ideias do treinador. No passado sucedeu o mesmo com Jonas, numa altura em que o próprio treinador já afirmava que ele era o seu melhor jogador. Preterido no Dragão por Jorge Jesus, onde alinhou Talisca, por não ter ainda a relação táctica que se pretendia para um jogo com aquela exigência.

Guardiola explica o porquê de ter preterido de Joe Hart neste jogo, ainda que tal não signifique que essa situação se mantenha durante a época.

video

quinta-feira, julho 28, 2016

Estica!!! Assim se apelidam os "novos" princípios de jogo de Guardiola!

Guardiola! O mesmo treinador, com os mesmos princípios adaptados de forma diferente. Ainda que muitos tenham ficado com a ideia de que futebol só se joga com passe curto, e apenas dessa forma se deve colocar o adversário fechado no último terço. Ainda que muitos continuem a achar que há só uma forma segura de progredir. Ainda que muitos tenham ficado sem perceber que há vários caminhos para chegar ao mesmo destino, dentro da mesma ideia. Se há condições para fazer a equipa subir, e construir de uma posição mais adiantada, sem com isso comprometer de forma acentuada a manutenção da bola, por que não o fazer? O melhor treinador da história mais uma vez demonstra que dá para fechar o adversário lá em passe curto, ou em passe longo. Quando muitos de nós defenderiam que a bola deveria ter entrado no lateral direito. Não era mal jogado, mas também dá assim:



No pormenor o trabalho inVISÍVEL de Guardiola a "brincar" com a basculação defensiva do adversário

segunda-feira, julho 18, 2016

Renato Sanches, um estudo sem qualquer significado. Contextos de exigência máxima.

Não sou da opinião que Renato é um jogador que se faz valer da condução como seu melhor atributo. Discordo, aliás, de forma veemente disso. Para mim, o que ele tem de verdadeiramente especial é o facto de olhar sempre para frente em primeiro lugar. Ou seja, a primeira coisa em que pensa é na baliza adversária. Não perde uma possibilidade para enquadrar, para jogar para a frente, para fazer a equipa ganhar metros. E pressionado, quando percebe que não dá para progredir, opta pela segurança. A forma como se mostra constantemente, e nunca se esconde é outro factor de destaque. A facilidade com que enquadra, bem como o numero reduzido bolas que perde quando pressionado nas costas, só é possível pela forma como observa sempre o espaço à sua volta antes de receber, para lá da agilidade que tem.  Também tabela, também procura o apoio frontal, e quebra linhas com passe vertical.  É um miúdo que tem erro, claro. Nem podia ser de outra forma. Tem erros de decisão, tem erros de execução. Mas também tem acerto, muito acerto, e também consegue com acções positivas em situações difíceis colocar colegas ou a si próprio em melhores condições. Não é o estilo de jogador que mais aprecio por não ser um grande criativo. Mas é impossível não perceber-lhe o potencial, mesmo que em contextos de grande exigência. Poderá crescer por forma a confirmar o seu potencial, ou não. Mas nunca se poderá dizer que não tinha nada de especial para lá da sua robustez. Longe dos melhores do mundo, mas com potencial para se afirmar no corredor central de um grande.

Renato em Munique, contra o Bayern de Guardiola.

1) Utiliza Gaitan para tirar o adversário do caminho em tabela. Depois, usa a desmarcação do mesmo para conduzir em direcção ao corredor central, tirando com isso a possibilidade de intervenção a dois adversários que se aproximavam. Bem a solicitar Jonas no apoio frontal, e a oferecer  de imediato uma óptima possibilidade de passe assim Jonas o entendesse.

2) Recebe de costas (para a baliza adversária), percebendo que não havia possibilidade de enquadrar joga no mais seguro. Poderia aqui ter optado por um passe para Fejsa ou Lindelof uma vez que Lewa já antecipava o passe para o GR.

3) Má recepção, e perda de bola. Não era uma situação fácil, porém.

4) Recebe enquadrado e solicita Mitro no espaço, obrigando a linha do Bayern a baixar alguns metros.

5) Recebe no corredor lateral, apertado com apenas uma possibilidade de passe. Opta por não utilizar essa solução, tentando livrar-se do adversário directo. Não consegue, joga em segurança.

6) Recebe enquadrado, joga no apoio frontal.

7) Após recuperação da bola numa bola parada, e sem soluções de passe, guarda e provoca o contacto. O adversário acaba por cortar para fora.

8) Recebe apertado nas costas, mas com a sua capacidade física consegue livrar-se do adversário, enquadrar e progredir. Depois, má decisão. Deveria ter utilizado Jonas para dar continuidade ao lance, tendo em conta o número de adversários que tinha atraído sobre si.

9) Recebe apertado, e mais uma vez a sua capacidade física permite-lhe proteger a bola, ganhando dessa forma tempo para tomar a melhor a decisão e decide em conformidade.

10) É solicitado desenquadrado, e percebendo a aproximação do adversário devolve de primeira.

11) De primeira enquadra Gaitan para a linha defensiva, ainda que estivesse pressionado.

12) Novamente de primeira, e novamente a colocar Gaitan numa situação muito favorável, mesmo com pressão à volta.

13) Recebe enquadrado, conduz um pouco para perceber soluções de passe adiantadas. Percebe que as possibilidades são poucas e toca no corredor lateral.

14) Recebe de Pizzi depois de uma recuperação de bola que se desmarca. Segura e devolve em Pizzi que fica numa situação muito vantajosa, com muitos jogadores batidos pela acção dele e de Renato. 

15) Recupera, protege utilizando o corpo, e ganha falta.

16) Recebe e quando se preparava para enquadrar escorrega. Perde a bola.

17) Recebe numa situação sem grande potencial no corredor lateral, e consegue descobrir Jonas dentro da área com um passe por alto.

18) Desenquadrado e pressionado, tenta jogar de primeira em Pizzi. Boa decisão, mau passe.

19) Recebe de Pizzi de costas, sem pressão percebe que pode enquadrar e joga em Jonas no apoio frontal.

20) A bola é-lhe endereçada em más condições, e mesmo assim e com a pressão consegue de primeira colocar jogavel em Gaitan.

21) Pressionado e de primeira, coloca em Jonas no apoio frontal.

22) Recebe pressionado, e devolve.

23) Recebe pressionado um passe pelo ar, tenta fazer-se valer da sua capacidade física para proteger a bola e perde o lance. Má decisão.

24) Recupera e de imediato inicia o contra-ataque, elimina um adversário em condução e sofre falta. Levanta-se e dá seguimento ao jogo.



Renato em Paris, na final do Campeonato da Europa.

1) Recupera a bola e jogar em João Mário, apesar de ter sido Ronaldo a ficar com a bola, era o colega melhor colocado para dar seguimento ao lance.

2) Má recepção, e perda de bola. Ainda que o lance não fosse fácil pela aproximação de Matuidi.

3) Recebe pressionado, e entrega em segurança.

4) Recebe novamente pressionado, não consegue proteger a bola e o defesa corta. Tenta de imediato aproveitar o movimento de Adrien e lança rapidamente a bola.

5) Recebe sem pressão e enquadra, poderia ter conduzido mas opta bem por não o fazer. A bola seguia e bem para Ronaldo no espaço dando início à transição ofensiva, no entanto Ronaldo que já estava limitado e trava o seu movimento dando a impressão que Renato erra o passe.

6) Recebe no corredor lateral, conduz de fora para dentro. Chama a si Matuidi e coloca em Adrien numa posição mais adiantada.

7) Má recepção e perda de bola.

8) Recupera e inicia a transição ofensiva em condução. Má decisão. Deveria ter colocado a bola nos colegas que se desmarcavam pela esquerda, e continuar a desmarcação sem bola. Quando percebe que já não consegue avançar roda e toca em Adrien atrás.

9) Má decisão. Recebe no corredor lateral e inicia o movimento interior. Deveria ter deixado em Nani e desmarcado em direcção à baliza. Opta por continuar a conduzir e acaba por jogar em Adrien.

10) Recebe no corredor central enquadrado, segura e joga em Raphael.

11) Recebe de Quaresma enquadrado, e tenta variar para Nani do lado contrário. Aqui, talvez pudesse ter aproveitado a posição de Adrien atrás dos médios franceses.

12) Recebe, enquadra, sem possibilidade de progressão prefere a segurança e joga e William.

13) Recebe de frente para o jogo, e jogo para Raphael no corredor lateral. Mostra-se como linha de passe e a bola lhe é devolvida. Roda e coloca em William em segurança.

14) Recebe de costas e devolve em segurança.

15) Recebe pressionado e devolve. Simula que vai e volta-se a mostrar, ganhando espaço para enquadrar. Recebe novamente, enquadra, e joga em William numa posição mais adiantada.

16) Recebe, enquadra, conduz e procura Nani no apoio frontal. Nani deixa-se antecipar.

17) Recupera e de imediato inicia a transição ofensiva solicitando Nani em apoio frontal.

18) Recebe de João Mário e joga em segurança.

19) Recebe de costas, enquadra, tira Pogba do caminho, e ainda Matuidi com o passe para Quaresma.

20) Enquadrado e com pouca pressão solicita Adrien de primeira, em apoio frontal.

21) Recebe de João Mário e com espaço conduz. Sem grande velocidade, e talvez a espera que Nani se mostrasse em apoio frontal. Tal não acontece, e Matuidi acaba por conseguir tirar-lhe a bola.

22) Mau passe. Tabela com João Mário, mas o passe foi mal executado.

23) Recebe de costas e pressionado, devolve.

24) Solicitado de costas e pressionado, devolve de primeira.

25) Recebe, enquadra, e solicita João Mário em apoio frontal.

26) Recebe com espaço e conduz sem grande velocidade equacionando soluções, opta por Quaresma que deixa passar para Cédric.

27) Recebe e toca para Adrien.

28) Toca de primeira de costas e pressionado.

29) Recebe, enquadra, ataca o espaço sem grande velocidade. Procura por soluções, simula que vai para trás e engana Griezmann conseguindo abrir uma linha de passe segura para William, mais adiantada.

30) De costas e pressionado toca de primeira para Cédric.

31) Recebe no meio da pressão e varia o centro de jogo para onde há mais espaço.

32) Recebe no corredor lateral em velocidade e tenta fazer-se valer da sua capacidade física para ultrapassar o adversário directo. Perde a bola.

33) Recebe de João Mário, roda e varia o centro de jogo.

34) Recebe pressionado e joga em segurança. Mostra-se novamente para receber, enquadra e solicita João Mário no apoio frontal.

quinta-feira, julho 14, 2016

Podence: O paradoxo Jorge Jesus.

Daniel Podence é o jogador que Jorge Jesus adora. Com características individuais marcantes, porque cada vez que toca na bola não deixa ninguém indiferente. Os seus traços individuais fazem-se notar até para os mais distraídos. Seja a agilidade e o baixo centro de gravidade que lhe permitem realizar movimentos entre os adversários, nos espaços reduzidos, como o fazem os baixinhos que tanto nos apaixonam. E também permite que proteja a bola e seja difícil de o desarmar, de tal forma que alguns adversários acabam por se frustrar e recorrer à falta. Seja a velocidade a que conduz, a aceleração repentina, a facilidade com que trava e muda de direcção mesmo em velocidade, sem nunca perder o controlo da bola. A inteligência com que procura os espaços em apoio ou em ruptura, a forma como se coloca para receber facilitando a recepção orientada, e com isso o enquadrar com a baliza adversária. O nível de exigência ainda é relativamente baixo, mas é impossível ficar indiferente ao menino.

Daniel Podence é o jogador que Jorge Jesus detesta. É um puto imberbe. Não cresceu o suficiente para que se possa impor em competição, e por isso será muito difícil que se imponha no onze do Sporting. Não é forte nas bolas divididas, não desarma com facilidade e agressividade. Perde constantemente a primeira bola, e quando o adversário o pressiona de costas também. Não tem peso para jogar contra a agressividade, e para fazer parte da equipa quando o treinador e o jogo ditarem um jogo de primeiras e segundas bolas. É mais um jogador selvagem que terá de domesticar, e fazer crescer do ponto de vista muscular. Poderá ser mais um daqueles que será impossível retirar do plantel porque todos estão de olhos postos nele, mas à medida que não for jogando, que não for sendo chamado para as convocatórias, que a confiança for descendo, será mais um daqueles casos em que o treinador terá razão em ter achado que não estava preparado.

Será ou não aposta de Jesus? Só o tempo dirá para que lado irá cair a moeda desta vez.

sábado, julho 09, 2016

Equipa do Euro

O sistema e o modelo de jogo são o alemão, portanto 1x4x3x3. O treinador é Joachim Low, e o treinador adjunto António Conte.

GR - Buffon
DC - Bonucci
DC - Chiellini
DE - Raphael Guerreiro
DD - Giaccherini
Mdf - Modric
MO - Iniesta
MO - Ozil
ExtE - Payet
ExtD - Bale
AV - Griezmann

Suplentes: Lloris, Hummels, Joe Allen, Kroos, Ramsey, Eder, Mario Gomes

Faça também a sua equipa, e deixe questões sobre o jogo para respondermos aqui, e para fazermos a ante-visão do jogo amanhã na Fnac do Chiado. Começa as 19:45, apareçam para trocarmos ideias a qualquer altura antes, durante, ou depois do jogo.

domingo, julho 03, 2016

Itália em organização ofensiva. Nuances do seu jogo de posições.

Há para uma situação que não está presente no vídeo mas que também se repete muitas vezes: é o ataque de Giaccherini à profundidade, quando um dos avançados recebe de costas em apoio frontal. Essa mobilidade, esse contraste de movimentos, que pela agressividade dos 3 centrais da Alemanha e dos homens que ficam batidos pelo passe não teve tanto sucesso, é outro dos movimentos chave para que se criem desequilíbrios na estrutura adversária em posse. Todos esses movimentos ofensivos já eram perfeitamente visíveis na Juventus de Antonio Conte, aqui, e aqui.

domingo, junho 26, 2016

A mudança que UEFA promove

"Dado que o futebol é um jogo de pontuações baixas (os resultados são geralmente definidos por poucos golos), é também um jogo em que os detalhes têm necessariamente um peso muito significativo. Esta circunstância faz com que seja também um jogo em que a qualidade geral de uma equipa não é suficiente para fazer a diferença perante equipas menos capazes, sobretudo em confronto directo. É por isso que o sucesso de uma equipa em competições de regularidade (como campeonatos nacionais) e o sucesso da mesma equipa em competições a eliminar (como taças nacionais ou internacionais) é por vezes tão distinto. Uma vez que os detalhes são tão importantes, o sucesso numa competição de regularidade será sempre uma pedra de toque mais fiável para aferir a verdadeira qualidade de uma equipa do que uma competição em que um pequeno deslize pode deixar por terra as melhores equipas ou um pequeno lance de sorte pode manter em prova as equipa menos capazes. O sucesso na Liga dos Campeões não é, portanto, sinónimo de competência. Se fosse, seria de esperar que uma equipa que chega a duas finais da Liga dos Campeões em 3 anos, superando algumas das melhores equipas europeias, tivesse mostrado nesses mesmos 3 anos o mesmo tipo de competência na competição interna que disputa. "
Nuno, Entredez

A forma como este Euro transformou a possibilidade de qualquer equipa com pontuações baixas chegar às eliminatórias faz com que por menor que seja a qualidade colectiva o sucesso na competição esteja cada vez mais dependente dos detalhes. E faz também com que o jogo defensivo, que já era uma constante, comece logo desde o início da prova e se vá mantendo até ao final. Sendo uma prova onde um erro pode ditar a eliminação, a UEFA está a promover uma mudança importante que tem reflexo na forma como as equipas jogam a prova. Portugal, por exemplo, sem qualquer vitória nos noventa minutos no grupo mais frágil da competição, com o imponderável a cair sobre si no prolongamento frente à Croácia, e com a sorte que teve no sorteio pode perfeitamente chegar à final.

sábado, junho 18, 2016

Somos muito fortes do ponto de vista táctico

Palavras que vêm sendo repetidas ao longo dos últimos tempos como forma de caracterizar o treinador e o jogador português. Que são de uma espécie que se adapta a qualquer tipo de dificuldade, a qualquer tipo de sistema, a qualquer tipo de modelo, seja qual for a exigência, o que é português e vem do futebol tem resposta de competência. E temos de facto competência, alguma, mas tão pouca que não servirá nunca para caracterizar de forma geral o futebol, o jogador, e o treinador em Portugal. O senhor da imagem é um exemplo.

Fortaleza táctica. O táctico é: Consoante a situação de jogo conseguir ajustar-se ofensiva e defensivamente, colectiva e individualmente. É saber que se o meu colega tem espaço a linha de passe não precisa de ser tão curta, que se o adversário o pressiona e eu estou longe, devo aproximar. É saber que, se o colega conduz sem oposição eu vou na profundidade dando possibilidades de passe que não existiam até então. Que se tenho espaço devo conduzir na direcção da baliza, abrindo aos colegas possibilidade de me garantir soluções de passe mais diversas. É também dar as linhas de passe onde possa receber sem oposição, para onde os meus colegas possam passar a bola. É o adversário fechar essa linha de passe e eu mover-me para onde possa receber, e para onde o colega tenha confiança para passar. É eu saber que o adversário está todo basculado de um lado, e eu aproveitar as zonas que ficaram livres. Repare-se os lançamentos de linha de lateral! É eu perceber que o adversário está a espera de uma bola na profundidade e que por isso não vou ter vantagem nenhuma em colocar lá a bola. É eu não pedir sempre no pé, nem pedir sempre no espaço. É perceber que os movimentos que eu faço nem sempre são para receber, e mesmo assim são fundamentais para criar desorganização ou dúvida no adversário, facilitando a tarefa dos meus colegas. É eu perceber como e onde pedir. É saber se a bola deve ser metida no pé ou no espaço. Táctico é eu perceber a posição da bola, saber onde estou em relação à minha baliza, onde estão os meus colegas, e posicionar-me de forma eficiente para evitar ao máximo que o adversário chegue perto com perigo. É eu saber que se um colega foi batido, devo ajustar-me consoante a situação numérica. É saber que se eu for batido devo recuperar rapidamente para uma determinada posição consoante a situação que ficou criada. Ser forte do ponto de vista táctico é perceber quais são os melhores onze para colocar em campo tendo em conta o momento que cada um atravessa. E também é, conseguir ser competente na distribuição dos jogadores, bem como em que tipo de acções que mais devem procurar, tendo em conta a maior exigência e complexidade do jogo do ponto de vista ofensivo.

Diz-se que somos/fomos muito competentes do ponto de vista táctico quando defrontamos selecções com maior potencial individual e conseguimos competir. Mas é esse mérito tão diferente do que conseguiram a Islândia e a Áustria, sabendo-se da abismal diferença de potencial individual que existe entre essas equipas e a nossa? E, sendo essa nossa competência tão gabada, como é que selecções tão medianas também o conseguem fazer? É tão nossa essa grande qualidade? E por que é que quando nos é exigido mais, jogos onde realmente se mostre a nossa mais valia táctica, somos tão pouco competentes? Vivemos na sombra de alguns treinadores realmente competentes e de altíssimo nível, de alguns jogadores que vão aparecendo sem um processo uniforme, fruto da competitividade que se consegue ainda assim ter, e achamos que são esses pequenos oásis no deserto que nos representam. Depois, quando é exigida a essa representatividade que se junte, que transforme o processo em comportamentos idênticos dentro de campo ninguém se entende. Uns jogam um jogo, outros jogo outro. Não há uma ideia comum ao qual todos os que se juntam consigam responder de forma idêntica. É triste aquilo em que o futebol português transformou a herança deixada por Carlos Queiroz.

Somos muito fortes no cada um por si, e no salve-se quem puder. A fazer coisas em conjunto, a associar-se para resolver problemas, zero. Infelizmente o futebol é um desporto desse tipo, colectivo. Infelizmente as competências para o jogar exigem utilizar um determinado tipo de capacidade que não está enraizada em nós. Cristiano Ronaldo é hoje, como nunca, o retrato de todo o futebol em Portugal.