Posse de bola no Facebook

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terça-feira, dezembro 27, 2016

Pep, o Diário de Manchester. Episódio 5. Esquecemo-nos que a baliza ficava ali!

O Feedback. Fantástica a construção, a forma como a equipa consegue chegar ao último terço com a bola controlada. Aí, não se pode ficar a trocar a bola eternamente na esperança que o adversário se desequilibre. Há que encontrar os momentos certos para acelerar, e ser agressivo no ataque à baliza. Há jogadores com desequilíbrio individual, para os quais a equipa trabalha para lhes criar melhores condições para usarem esse mesmo desequilíbrio, e se esses jogadores não o fizerem não faz sentido nenhum a equipa trabalhar tanto para que eles tenham aquele momento. Jogar com o objectivo circunstancial que ainda não estava atingido, e por isso, a posse de bola "passiva" não servia os interesses da equipa.

A Tomada de Decisão. Não lhe interessa que os jogadores que encontrem momentos para ir no um contra um, ou para forçar a entrada da bola dentro da área, percam a bola nessa acção. Se encontram o momento, devem ir pra cima; se não o encontram, devem estar mais focados em encontrá-lo. Guardiola assume o risco da perda de bola para que os jogadores se sintam mais confortáveis para cumprir com a tarefa, e estejam mais focados em descobrir os momentos para arriscar mais.

O Reforço. Faz a lavagem cerebral aos jogadores demonstrando com exemplos práticos os efeitos da mudança de comportamento que pediu aos seus jogadores. Com a vitória, e com a forma como lá chegaram, os jogadores confiam um pouco mais e acreditam com mais convicção nas ideias de Guardiola.

quinta-feira, dezembro 22, 2016

Pizzi, o que foste tu fazer... Forçar a inferioridade, não está isso "proibido"?

Em dias passados fui um dos senhores que defendia com unhas e dentes que a qualidade poderia ser medida pela forma  mais ou menos regular que uma equipa, que um jogador, procurava cumprir com os princípios de jogo. Mas a medida que o tempo passa, cada vez mais me convenço do quão curta era tal suposição, do quão longe do jogo estava a minha linha de pensamento. O futebol, tem-me ensinado, cada vez melhor, a perceber que o problema não está naquilo que eu penso (porque eu não executo), mas sim naquilo que quem tem a responsabilidade de executar vê. Portanto, dizer que uma situação de 1x1 é melhor que outra de 4x6 é curto, muito curto. Porque aquilo que eu percebo do lance por o um contra um ser uma situação, supostamente, menos complexa é completamente distinto daquilo que o jogador entende. Não vale a pena categorizar, dizer que a complexidade é maior ou menor, dizer que no absoluto os jogadores devem procurar a superioridade, evitar a igualdade, e recusar a inferioridade. Não vale porque nunca seremos nós os executantes. Jogar com o tempo, e o espaço, hoje, é o melhor que se pode pedir. Ou seja, jogar com o tempo que o jogador e o adversário têm para agir/reagir; e jogar com o espaço que disponível para atacar/defender. Alguém já pensou, por exemplo, que é muito difícil para quem defende perceber quem deve sair em contenção quando há uma grande proximidade entre os seus elementos? E que jogar nos espaços reduzidos dá muito menos tempo a quem defende para conseguir agir e reagir? Afinal, por que é que uma situação de um contra um é melhor, e menos complexa, do que uma situação de quatro contra seis? Parece-me muito curta qualquer resposta que não contemple os executantes envolvidos, e a capacidade que cada um deles tem para jogar com situações de um tipo ou de outro. Pizzi, no lance que se segue, mostra-se contra os princípios de jogo e sobretudo contra soluções pré-concebidas. Contra receitas e prescrições, ele imagina e percebe o caminho, encontra os colegas, e passa por entre os labirintos de adversários que o rodeiam.

terça-feira, dezembro 20, 2016

Demasiado Talento Solto

Têm sido muitas as críticas feitas ao Porto de Nuno Espírito Santo por não ter criado ainda bases sólidas ao nível do modelo de jogo, para que a equipa se possa impor em cada jogo. Mas, o primeiro passo para qualquer equipa ter sucesso, aproximar-se do golo e não sofrer golos, é ter qualidade. Ou seja, colocar sempre os melhores jogadores disponíveis em campo. E tem sido esse o maior mérito do treinador do Porto. Juntar um grupo de jogadores de muita qualidade que lhe garantem a posse, mesmo que em jogos de grande exigência, e criatividade em diferentes acções do jogo. Também por isso, por estar rodeado de qualidade, Oliver se destaca mais a cada jogo que passa. Porque joga com jogadores com capacidade para o compreender e associar-se ao que de melhor ele pode dar ao jogo. Por vezes com aproximações, outras vezes com movimentos de ruptura que lhe permitem ganhar espaço ou colocar alguém na cara do golo. Há qualidade técnica ímpar, há capacidade de improviso como há muito não se via nas unidades ofensivas, mas também há muito trabalho nos movimentos de chegada ao último terço. Quer seja para a bola a entrar em boas condições à criação, ou então para atacar a finalização. A mobilidade na frente tem sido um factor diferenciador do Porto para os outros grandes.

Os melhores no seu sítio; É assim que o Porto vai destroçando as organizações defensivas que lhe aparecem.

segunda-feira, dezembro 19, 2016

A Falta de Controlo nas Segundas e Terceiras bolas

Guardiola tem explicado um milhão de vezes que a maior dificuldade que sente no futebol inglês é a falta de controlo de jogo. Não pode pressionar porque as equipas jogam sempre directo, não pode controlar porque a bola passa mais tempo no ar do que no chão; e no ar ninguém controla. Poder-se-à falar num menor rigor posicional na abordagem às primeiras e segundas bolas, mas talvez nem seja caso disso. A equipa de Guardiola do ponto de vista das capacidades condicionais para vencer esses duelos é do pior que existe para jogar no campeonato inglês, e a impossibilidade de pressionar acentua esses duelos. O que fazer então para reduzir a desvantagem? Evitar os duelos sempre que tiverem essa possibilidade. No fundo, tirar a bola do ar e meter no chão sempre que possível. A frustração de Guardiola acaba por ser parecida à frustração de quem não percebe ao que ele se refere. Afinal, como pode um treinador daquele nível não controlar as segundas bolas? Simples. O foco dele sempre esteve em factores que elevem o desempenho da sua equipa dentro da sua ideologia de jogo; e o controlar o jogo com pressão e dominar em posse sempre se sobrepuseram a tudo o resto.

Ontem, porém, a fortuna sorriu ao génio espanhol na forma como consegue empatar o jogo frente ao Arsenal. O lance do golo de Sane é perfeito para exemplificar ao que Guardiola se refere quando diz ser impossível controlar as segundas e terceiras bolas, sendo que o acaso tem um papel fundamental na forma como o lance se desenrola. Cech bate o pontapé de baliza, e a equipa do Arsenal adopta um posicionamento ofensivo, como se quer, e o City resguarda-se como se impõe. O Arsenal prepara-se para ganhar a primeira bola fácil, uma vez que ela vai para uma zona onde a vantagem é evidente para Coquelin. O problema é que ele falha a abordagem a essa primeira bola, e quando Fernando se preparava para a disputar, surpreendido com a falha, perde a possibilidade de reagir de forma adequada ao lance. A bola acaba por bater nele e sem qualquer intencionalidade cai nos pés de Sterling. Portanto, a segunda bola fica em Fernando sem ter feito nada por isso, e sem querer a terceira cai caprichosamente nos pés do jogador melhor colocado para iniciar o contra ataque. Sterling joga com Silva no apoio frontal que lhe devolve a bola. Xhaka desarma-o e a sorte volta a sorrir a Guardiola, porque a bola vai parar aos pés do magnifico Silva já enquadrado. Sem dificuldade aproveita o movimento de Sane e de primeira o coloca na cara do guarda-redes. Golo. A incerteza do jogo, e a impossibilidade de controlo que Guardiola tanto repete, é isto. E são milhares as vezes que num jogo da Premier estes casos se repetem.

domingo, dezembro 18, 2016

Se eu jogasse com o Messi teria mais bolas de ouro

Cristiano Ronaldo tem mil golos, e mil formas de os fazer. E por isso, continuará a somar recordes, bolas de ouro, botas de ouro, e será sempre um jogador de relevo na disputa dos prémios individuais mais notáveis. Em tom de brincadeira, há dias, ele dizia que se jogasse com Messi teria ganho mais bolas. Penso que nunca ouvi de Cristiano algo que explique tão bem a diferença entre ele e o génio argentino. Sim, Cristiano. Somarias muito mais bolas de ouro, porque em lances como o que se segue Messi serviria numa bandeja para tu somares o golo mil e um.

quarta-feira, dezembro 14, 2016

A aprendizagem leva-nos por caminhos muito pouco estreitos.

Para quem tem preocupações com a melhor forma de passar conhecimento aos jogadores, há questões que nos atormentam todos os dias. Como melhorar, a tomada de decisão, dando total autonomia ao jogadores? Autonomia no sentido de criar condições para ser o jogador, a criança, a descobrir o caminho. E se nunca o descobrir?!

Tenho para mim que como treinador não devo interferir com a tomada de decisão dos meninos dando-lhes a resposta quando percebo que eles não identificaram o problema. E essa ideia parte da minha tentativa de não o viciar numa muleta que não vai estar lá sempre, e estando sempre não chegará a tempo de todas as situações. Mas são tantas as situações que se passam em jogo, e são tão diversos os caminhos que cada um percorre até aprender determinado "conceito" que a dúvida fica sempre, se não será benéfico para o jogador numa ou noutra situação mostrar-lhe a resposta, sob pena daquela situação não voltar a acontecer; não de forma regular, pelo menos. E aí, logo aí, a aprendizagem fica comprometida. Repeti milhões de vezes que a melhor das soluções, para a aprendizagem, era aquela que havia sido descoberta pelo jogador. Mas porquê? Reflectindo melhor sobre isso, não sei se o será. Porque a descoberta da solução é apenas uma das partes importantes, mas não suficiente, para que o jogador aprenda. Há soluções que os jogadores encontram, e têm sucesso com elas em determinada situação, que depois não se verificam como aprendizagens em situações do mesmo tipo. Porquê? Creio que por a parte mais difícil ter ficado por fazer: a reflexão.


Lucas consegue na perfeição explicar o porquê de não repetir dribles, o porquê de simular ir por um lado e seguir para outro, porque aprendeu a reflectir sobre o sucesso que ia tendo na forma de enganar os adversários com o drible. Percebeu qual era a informação de suporte que o ajudava a ter maior taxa de sucesso nesse tipo de lance, e com o sucesso massivo especializou-se nisso. Mas sobretudo, aprendeu porque soube reflectir sobre o seu sucesso e insucesso em determinado tipo de acção. Percebo hoje melhor que há determinado tipo de jogador cuja maior dificuldade é essa reflexão. Essa forma de ir atrás de perceber o porquê do sucesso ou insucesso dos seus lances, e dos lances de outros que o rodeiam (colegas, adversários, ídolos, etc), ainda que consigam descobrir soluções por si. Antecipar lances na cabeça dele, e imaginar soluções para aplicar no próximo treino e no jogo que se segue. Perceber o que falhou, e o porquê de ter falhado.

Num jogo de um dos escalões nos primeiros anos de futebol federado, um jogador recebe ou recupera a bola (enquadrado) dentro do meio campo defensivo do adversário. O Guarda-Redes está adiantado, e o jogador não percebe. Se o treinador disser ao jogador para rematar, e o jogador fizer golo, terá o treinador fechado o caminho para a aprendizagem pelo sucesso utilizando a tal muleta? Ainda que o treinador no final, ou num momento qualquer oportuno, faça perceber ao jogador a oportunidade que poderia ter perdido por não ter procurado a informação relevante para a tomada de decisão naquela situação (levantar a cabeça para ver o espaço antes de receber a bola/depois de a ter ganho)? Não terá sido por meio dessa proposta de reflexão,ainda que tenha dado a resposta de antemão uma aprendizagem mais importante do que muitas das soluções que o jogador encontra por si sem qualquer reflexão sobre elas? E se o treinador deixar passar uma situação dessas, das que não se repetem em treinos ou em jogos de forma constante para que sejam objecto, foco, do treino; o que poderá suceder? Mesmo que o treinador faça perceber que havia uma situação de vantagem passível de fazer golo, será essa informação tão importante quanto uma despoletada pelo sucesso com a ajuda da muleta? Se o jogador chegar a casa, e na cabeça dele ecoar a informação que o treinador lhe passou, e perceber o quão importante é para não perder situações futuras dessas procurar pela informação de suporte à tomada de decisão, o treinador errou?

domingo, dezembro 11, 2016

quinta-feira, dezembro 08, 2016

O trabalho das crianças é brincar

"Antes de começar a praticar judo, fiz atletismo, joguei futebol, brinquei muito na rua, subi árvores, saltei muros. Não tive uma experiência desportiva muito alargada num contexto competitivo, mas apesar de ter entrado tarde no judo, já tinha um grande desenvolvimento motor. Portanto, para mim acabou por ser fácil a aprendizagem de coisas supostamente tão complexas. Acredito que o ideal é as crianças brincarem muito e de uma forma livre. Devem até praticar mais do que um desporto. No fundo, devem é ter a paixão pelo desporto. Isso é mais importante do que terem uma especialização cedo"

O excerto da Telma Monteiro pode parecer inicialmente desadequado. Sobretudo se pensarmos que quando existe a necessidade de manipular um objecto dentro da modalidade o exemplo do desenvolvimento motor se torna pouco relevante para a prática do futebol. Mas não! O transfer que pode ter um vasto repertório motor para uma modalidade específica é de valor inestimável. Não só pelos motivos que a Telma aponta; uma maior facilidade em realizar várias tarefas, pela maior versatilidade do corpo. Mas também pelo transfer que menos se percebe (talvez o mais importante) na realização de cada tarefa. Por exemplo, as velocidades de reacção e de percepção, e também a capacidade de adaptação a tarefas distintas. São capacidades cognitivas demasiado importantes no futebol de hoje para que se possa ignorar a influência das experiências nos primeiros anos de vida. No desporto, como no futebol, a função do treinador nos primeiros escalões de formação é fazer a criança brincar dentro da modalidade. É fundamental que a criança goste da tarefa, e que tenha a liberdade para conseguir por si resolver os problemas que são propostos. Claro que, quando necessário, ajudar. Mas as tarefas devem ser de tal forma abertas que quem vê de fora as possa confundir com muitas outras propostas de outras modalidades. O gosto da modalidade, o que os faz com entusiasmo recusar tudo para ir treinar é também da responsabilidade de quem dirige o treino.

Há dias, alguém colocou a hipótese de num cenário de treino (por ser o único treinador da equipa) formar uma fila de 2/3 elementos e fazer correr dois exercícios de 1x1 para que pudesse melhor controlar a acção dos mais pequenos. Ao que eu respondi que o fundamental nessas idades é que pratiquem, ainda que o treinador não esteja a ver. E tantas vezes o melhor acontece fora da órbita da pratica orientada. As melhores aprendizagens, os maiores ganhos, as maiores mudanças. Por isso, que se façam 7,8,9 campos de 1x1 ainda que o treinador não consiga atender a todos de forma eficiente. Os miúdos são muito mais felizes a praticar do que quando esperam, e se o tempo é pouco temos a responsabilidade de o maximizar. Até porque não podemos passar a vida a dizer que o futebol de rua nos faz muita falta, e depois quando nos aparece a possibilidade de trazer o que a rua tinha para o treino não abraçarmos essa possibilidade.

quarta-feira, dezembro 07, 2016

Portugal acorda para o Nápoles de Sarri


Aqui: Nápoles. Incrível o domínio que tem dos vários momentos do jogo; a equipa de Sarri é um espanto. Ofensivamente espanta com os seus apoios frontais; procura obsessiva do corredor central para criação, com a forma paciente como procura atacar. Mas também na forma como se organiza defensivamente. A linha defensiva trabalhada ao detalhe como Itália há anos não vê. Não deixa de ser irónico no país onde a organização táctica foi sempre muito gabada não existirem equipas particularmente organizadas em todos os momentos do jogo. Tivesse tido os imponderáveis do seu lado nos jogos grandes, e talvez não se estivesse hoje a falar da competência individual dos seus jogadores como principal factor que os afastou do título. A mais completa equipa da Europa.

segunda-feira, dezembro 05, 2016

A falsa segurança do Chelsea no momento de Transição Defensiva

As expectativas são sempre um dos pormenores mais importantes na forma como os jogadores interpretam a estratégia e modelo de jogo trabalhado durante a semana. E gerir tal "pormaior" é uma tarefa tão difícil que foram muito poucas as equipas que me lembro de o terem conseguido. A forma como jogo está a decorrer - sucesso/insucesso nas acções individuais e colectivas -, a forma como o resultado vai de acordo com as incidências do jogo - finalização das situações que se criaram -, a forma como a arbitragem influencia o jogo - mais decisões erradas para um lado do que para o outro -, são coisas pouco faladas e demasiadas vezes esquecidas por aqui. Não por preguiça, mas com a intenção de não levar a discussão para o nível que se faz habitualmente: foco na arbitragem.

Os jogadores agem e reagem de forma distinta consoante o que se estiver a passar dentro de campo. Tuchel dizia que o mais difícil de conseguir numa equipa de futebol era a regularidade. Regularidade no sentido da equipa jogar, e manter o plano de jogo, independentemente de estar a vencer ou a perder, a golear ou a ser goleado. A ganhar ou a perder no último minuto de jogo. Se Guardiola alguma vez foi considerado o Deus do futebol, foi por ter conseguido não só uma equipa regular no Barcelona; que cumpria escrupulosamente com o plano de jogo, com o modelo trabalhado, independentemente do resultado e das incidências do jogo. Mas também uma equipa que foi sempre demasiado inteligente na gestão das expectativas do adversário. Foram mil jogos contra adversários a querer pressionar onde optaram por os cansar primeiro, e desmotiva-los não perdendo a bola, para depois sim com melhores condições procurarem o golo.

Em Manchester, onde dois dos melhores treinadores da actualidade se enfrentaram, foram mais uma vez as incidências do jogo a ditar um melhor comportamento, ou um pior cumprimento das tarefas que cada treinador trabalha no pormenor. Guardiola e Conte. Dois obcecados pelo treino e por ver em campo as regularidades que trabalham, ficam naturalmente frustrados quando as suas equipas não conseguem passar por cima das incidências do jogo, exibindo os comportamentos de excelência que tão bem idealizam. Na primeira parte, enquanto o Chelsea liderava nas expectativas, no resultado, não houve uma situação em que o City os conseguisse ultrapassar para finalizar em contra-ataque. Apenas em organização ofensiva, e num ou noutro momento de maior inspiração individual dos seus jogadores. Por isso, como estava "por cima" no resultado, a equipa de Conte cumpria o plano de jogo na perfeição. Atacava com ordem, e com os jogadores bem posicionados para defender em caso de perda. Com o golo do City tudo mudou. Não só a equipa de Guardiola, mas sobretudo a de Conte. Os jogadores do City,  a ganhar, ficaram mais confortáveis e mais seguros nas suas acções. Atacaram sempre com muita qualidade, e a conseguiram sair de situações de pressão com a bola controlada. Os de Conte, menos focados na ordem quando atacavam, e mais precipitados pela necessidade de procurar o golo. Nesta fase, era o City que liderava nas expectativas, e a segurança que Conte exibia até então em transição defensiva desaparece. O City cria em contra-ataque situações suficientes para devastar o adversário com uma goleada e terminar o jogo logo ali. A excelência defensiva do Chelsea foi exposta muito devido à mudança no resultado. O Chelsea, também por isso, não conseguiu chegar com perigo como algumas vezes na primeira parte porque sentia constantemente o City a chegar. E num lance onde o colectivo não está bem (em termos de comportamento da linha defensiva), e onde individualmente Otamendi está muito mal as incidências do jogo voltam a dar a volta ao texto, e o Chelsea torna-se novamente senhor de si mesmo. No final, as ocasiões do City foram esquecidas, e o fenómeno defensivo do Chelsea realçado. É assim o futebol.

sexta-feira, dezembro 02, 2016

Dificuldade em furar as linhas do Marítimo

Numa imagem, que é bastante representativa, explicado o porquê da enorme dificuldade do Benfica em furar as linhas do Marítimo. Pouco atrevimento no jogo de posições. O treinador pode começar a desequilibrar o adversário logo pela forma como coloca os seus elementos em organização ofensiva, sem que com isso seja necessário a bola rolar. É importante colocar os jogadores num determinado ponto de partida, para lhes permitir vantagem temporal e espacial sobre o adversário quando em posse. Se assim for, mais fácil será para individualmente cada um dos jogadores aparecer. Mobilidade e dinâmica, sim! Sempre. Mas de dia para dia o futebol muda, e as exigências ofensivas tendo em conta a evolução defensiva, são cada vez maiores. Haverá sempre um jogo de posições mais adequado para combater os poucos espaços e as superioridades numéricas defensivas que nos são apresentadas.